segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A responsabilidade ao ler o Tarot

Ler o Tarot é um caminho de vida. Não é uma coisa que se faz aqui ou ali. Não é um botão de ligar/desligar que quando nos apetece, está lá. É necessário treinar, praticar, alimentar os nossos olhos e as nossas mentes. Temos de ler todos os dias. Várias vezes por dia. O Tarot fica a fazer parte nós, mesmo que não se use na nossa vida profissional. É algo que fará parte de nós para sempre como uma porta que apenas se pode abrir.

Temos de ter a responsabilidade de recusar uma leitura quando nos parece que vai trazer mais dano que benefício. E isso minha amiga, é muito mais frequente que aquilo que se imagina. Todos os dias (ou quase todos) eu recuso leituras. Pessoas chegam-me já com as respostas ao que querem saber. Só precisam de ouvir isso da boca de outra pessoa. E não serei eu a dar essa confirmação.

E por várias razões:

  1. O Tarot deve ser utilizado para trazer luz a caminhos escuros e duvidosos. Ora nestes casos não existe qualquer dúvida.
  2. As pessoas devem assumir as suas vidas, tanto de bom como de mau. E não formar opiniões apenas e só porque alguém lhes disse que iria ter um percurso de uma determinada maneira.
  3. Mas mais importante, porque o nosso coração diz-nos que não o devemos fazer!
Na dúvida, o nosso coração é sempre o melhor barómetro. É nele que devemos colocar o peso das nossas decisões difíceis. Além disso, um grande atributo de qualquer pessoa que vinga como profissional desta área é o de ter compaixão genuina! Não é fingir carinho e amor pelo próximo até nos pagar. Temos de ter SEMPE a capacidade de nos colocar no lugar de quem nos consulta e medir as nossas palavras. Claro que tudo é para ser dito. Quer as coisas boas, como as coisas más. Mas também ma grande verdade é que não nos devemos envolver emocionalmente.
É nesta grande dualidade que muitos dos profissionais falham. Mas conseguinte conquistar e ultrapassar esse ponto, o Tarot mostra-nos uma escola de vida ímpar. É nosso trabalho contínuo alimentar a nossa intuição e a nosso alma. Afinal, é disso que depende o fruto do nosso trabalho.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Tarot

As cartas de tarô surgiram entre os séculos XV e XVI no norte da Itália, e foram criadas para um jogo de mesmo nome, que era jogado pelos nobres e pelos senhores das casas mais tradicionais da Europa continental. O tarô é caracteristicamente um conjunto de setenta e oito cartas composto por vinte e um trunfos, um Curinga e quatro conjuntos de naipes com quatorze cartas cada — dez cartas numeradas e quatro figuras.

As cartas de tarô são muito usadas na Europa em jogos de cartas, como o Tarocchini italiano e o Tarô francês. Nos países lusófonos, onde esse jogo é bastante desconhecido, as cartas de tarô são usadas principalmente para uso divinatórios, para o qual os trunfos e o curinga são conhecidos como arcanos maiores e as cinquenta e seis cartas de naipe são arcanos menores. Os significados divinatórios são derivados principalmente da Cabala — vertente mística do judaísmo — e da alquimia medieval.

A palavra tarô na língua portuguesa não possui uma tradução específica — ninguém sabe ao certo sua real etimologia. Acredita-se que ele possa vir da palavra árabe turuq, que significa "quatro caminhos", que significa "rejeito". Segundo a etimologia francesa, tarot é um empréstimo do italiano tarocco, derivado de tara, "perda de valor que sofre uma mercadoria; dedução, ação de deduzir".

O tarô tradicional possui 78 cartas; quando usado para fins divinatórios, cada qual é denominada de arcano, palavra que significa "mistérios ou segredos a serem desvendados" e foi incorporada pelos ocultistas do século XIX.

Os jogos de cartas entraram na Europa no final do século XIV, com os mamelucos da Pérsia, cujos jogos tinham naipes muito semelhantes aos naipes latinos italianos e espanhóis: espadas, bastões, copas e ouros. Embora haja um número significativo de hipóteses para a origem do tarô, as evidências atualmente mostram que os primeiros baralhos foram criados entre 1410 e 1430 em Milão, Ferrara ou Bolonha, no norte da Itália, onde cartas de trunfo foram adicionadas aos já existentes baralhos de naipe. Esses novos baralhos foram chamados de carte da trionfi, cartas de triunfo, e as cartas adicionais simplesmente de trionfi, termo que originou a palavra "trunfo" em português. A primeira evidência literária da existência das carte da trionfi foi um registro escrito nos autos da corte de Ferrara, em 1442. As mais antigas cartas de tarô existentes são de quinze baralhos incompletos pintados em meados do século XV para a família governante de Milão, os Visconti-Sforza.

Não há documentos que atestem o uso divinatório do tarô anteriores ao século XVIII, embora se saiba que o uso de cartas semelhantes para tal uso era evidente por volta de 1540. Um livro intitulado Os Oráculos de Francesco Marcolino da Forli apresenta um método divinatório simples usando o naipe de ouros de um baralho comum. Manuscritos de 1735 (O Quadrado dos Setes) e 1750 (Cartomancia Pratesi) documentam o significado rudimentar divinatório das cartas de tarô, bem como um sistema de tirada de cartas. Em 1765, Giacomo Casanova escreveu em seu diário que sua criada russa frequentemente usava um baralho de jogar para ler a sorte.